terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Fundamentos da Umbanda

Fundamentos da Umbanda

Por Alexandre Cumino
Quais são, afinal, os fundamentos da Umbanda?

O fundamento de uma religião é sua base, seu alicerce, a razão fundamental de sua doutrina e seu ritual.  

Na Umbanda, ouvimos falar muito nesta palavra "fundamento", em contextos como: "tal coisa tem ou não fundamento", "isto é um fundamento da religião". A palavra é usada e manipulada à revelia e, neste contexto, perde-se o significado de fundamento e confunde-se o fundamento do todo (coletivo) com fundamentos das partes (individuais). 

Para definir quais são os fundamentos da religião de Umbanda é preciso antes definir o que é Umbanda e, neste ponto, já encontramos uma dificuldade enorme para a maioria das pessoas que se apega mais à forma do que à essência. A maioria tenta definir o TODO pelas partes, o geral pelo específico. É preciso, antes, definir quais são as linhas mestras da Umbanda, o simples e básico, para depois, então, identificar seus FUNDAMENTOS BÁSICOS. Sabemos que a Umbanda possui unidade e diversidade. Na unidade está o básico que faz identificar, ou não, Umbanda; e na diversidade está a liberdade ritual e doutrinária de cada grupo, "umbandas".

Na unidade está o todo; e na diversidade estão as partes. O todo é algo comum a todas as partes. Logo, fundamentos básicos são aqueles que estão presentes em todas as suas partes, no todo.

Quando falamos de UMBANDA (singular e uma), estamos falando do todo; quando falamos em umbandas (múltipla e plural), estamos falando das partes. As partes também têm fundamentos. Em relação ao todo, esses fundamentos são parciais, fundamentos desta ou daquela parte, desta ou daquela Umbanda. Aí surgem fundamentos da Umbanda "Branca", "Tradicional", "Esotérica", "Popular", "Mista", "Trançada", "Africanista", "Omolocô", "Eclética", "Iniciática", etc. Fundamento da parte não é fundamento do todo; logo, fundamento de Umbanda é algo que deve ou pode ser aplicado ao Todo, em todas as partes e liturgias da religião. Só não podemos falar em "Verdadeira Umbanda", ou "Umbanda Pura".

Afirmar que algo é "o verdadeiro" é uma forma de desclassificar o restante e rotulá-lo de falso. Também não podemos falar em pureza dentro de uma religião que nasce com sincretismos. Aliás, não existe pureza em nenhuma religião. Todas nascem de cultos e ritos que lhes antecederam. Nada nasce do nada; nada se perde, tudo se transforma.

Daí a confusão que alguns fazem entre um fundamento ancestral religioso humano e a religião em si, que é um conjunto de fundamentos dentro de um contexto no espaço e no tempo. Por exemplo, confunde-se a religião de Umbanda com um de seus fundamentos que é a incorporação de espíritos, mais especificamente de Caboclos ou Pretos-Velhos.

Por essa confusão, passam a crer que Umbanda seja uma religião ancestral e milenar. Outros confundem a religião de Umbanda com a palavra Umbanda e passam a crer que a origem da religião se encontra na origem da palavra "Umbanda". Na língua quimbundo, essa palavra significa "arte da cura", que é a prática do xamã, o "kimbanda"; aqui no Brasil, "Umbanda" se insere em outro contexto; a palavra é resignificada, é um neologismo para identificar uma religião que, embora tenha semelhanças com práticas xamânicas de todos os povos, difere na estrutura.

O básico do básico na Umbanda é reconhecer que se trata de uma religião brasileira fundada no dia 15 de novembro de 1908, por Zélio de Moraes e o Caboclo das Sete Encruzilhadas. Podemos identificar nas palavras do Caboclo das Sete Encruzilhadas os fundamentos mais básicos de Umbanda:

"Umbanda é a manifestação do espírito para a prática da caridade".
"Aprender com quem sabe mais e ensinar a quem sabe menos, e a ninguém virar as costas".

      Parece pouco, mas já é muito. Atendimento caritativo é a base doutrinária da religião, sem nenhuma forma de preconceito com relação às entidades que se manifestam. Quem lançou a pedra fundamental da religião foi um espírito que teve muitas encarnações e, entre elas, foi o frei Gabriel de Malagrida, que fez a opção de se apresentar como "Caboclo". Seguido a essa manifestação, apresentou-se o Preto-Velho Pai Antônio, e ambos chamaram falanges de Caboclos e Pretos-Velhos para trabalhar na Umbanda. Logo, "Caboclo" e "Preto-Velho" são formas de se apresentar escolhidas pelos espíritos que militam na Umbanda.

Aqui está um fundamento básico da Umbanda: as entidades se organizam no astral em linhas e falanges identificadas pela forma de apresentação, as quais guardam relação com os santos, Orixás e forças da natureza.

A música é um fundamento de Umbanda. A nossa música sagrada é chamada de "pontos de Umbanda". Para executá-Ia, não é obrigatório o uso de atabaques, mas a cada dia vemos mais terreiros aderindo ao som dos atabaques que, quando bem tocados, auxiliam nos trabalhos espirituais. O som grave da percussão de couro, ou similar, trabalha o nosso chacra básico e a energia da terra, o que ajuda o médium a sintonizar com uma força primordial e desacelerar um pouco a cabeça. Voltando-se à terra, a mente para um pouco de pensar e atrapalhar o processo mediúnico.

    O uso de símbolos riscados no chão é um fundamento mágico da religião de Umbanda, magística por excelência. São os "pontos riscados", por meio dos quais as entidades espirituais traçam "espaços mágicos", abrem vórtices de energia e campos de vibração para limpeza, descarga, cortes de energia, imantação, consagração e também para evocar as forças, poderes e mistérios dos Orixás. Essa "Magia de Pemba" é presente desde o nascimento da religião e constitui um vasto campo de estudos, polêmicas e realizações. Existem muitas formas de grafias e escritas mágicas. Os guias de Umbanda têm uma forma particular de escrever sua magia, por meio de um giz mineral chamado de "pemba".

O uso das velas também é um dos fundamentos de Umbanda; por mais simples que seja o trabalho espiritual, sempre existe no mínimo uma vela acesa. Acendemos velas para os Orixás e Guias de Umbanda. A vela potencializa e perpetua os pedidos e orações dos adeptos das religiões. Muitos têm medo de acender velas em suas residências, no entanto, o umbandista sabe que, quando uma vela tem "dono" espiritual, nada de mal pode ser desencadeado por meio dela, pois a força a que ela está ligada sempre se manifestará para proteger o fiel umbandista.

Entre o uso de velas está também um fundamento simples e muito presente na Umbanda, a vela para o "anjo da guarda". Costuma-se acender uma vela de sete dias para o anjo da guarda como forma de proteção do praticante de Umbanda. Anjo da Guarda é um mistério de Deus voltado à nossa proteção. Ter sempre uma vela acesa traz segurança mediúnica e proteção espiritual, que se estende ao campo emocional do médium. Claro que, como todas, é uma proteção que depende do merecimento e da postura desse médium diante da vida e de seu círculo de relacionamentos.

A defumação é um fundamento de Umbanda e consiste em queimar ervas secas e resinas, devidamente escolhidas, em um recipiente, turíbulo, contendo carvão em brasa, com objetivo de promover uma limpeza astral por meio da fumaça aromática e sua ação mágica.

O fumo é um fundamento de Umbanda, que muitos confundem com o vício de fumar. As entidades de Umbanda manipulam o fumo, uma erva sagrada, nas formas mais variadas, como charuto e cachimbo, promovendo uma defumação direcionada pelo sopro associado a seu poder curativo e purificador.

As bebidas são fundamentos de Umbanda. Assim como o fumo, confunde-se a manipulação de bebidas com o vicio de beber. As entidades de Umbanda não precisam beber, elas usam a bebida como recurso de limpeza e purificação. As bebidas são consagradas pelas entidades e também podem ajudar na criação de um ambiente e um contexto que sejam familiares ao consulente.

Banhos de ervas são um fundamento de Umbanda. Um dos recursos mais utilizados por guias e médiuns de Umbanda é promover uma limpeza espiritual e energética pessoal com banhos feitos à base de infusões de ervas com propriedades que vão desde atrair uma força até a neutralização de energias negativas.

Oferendas na Natureza são fundamentos de Umbanda. Muitos desses fundamentos são práticas milenares, como o caso das oferendas às divindades em seus pontos de força na natureza. Por meio das oferendas, o praticante reconhece a importância do contato com a natureza e a relação da mesma com os Orixás. As divindades não se alimentam das oferendas. Esse ato de ofertar traz efeitos emocionais aliados a ações mágicas que realizam verdadeiras transformações na vida daqueles que se colocam de frente para as divindades, com respeito, humildade, devoção e reverência.

As "sete linhas de Umbanda" são um fundamento muito polêmico e discutido desde os primórdios da religião, pois cada um cria ou inventa suas sete linhas de Umbanda particulares. No entanto, basta saber que o fundamento das sete linhas se refere às sete vibrações de Deus, que são sete energias básicas na criação. Existem muitos Orixás, muito mais do que sete. Cada grupo adapta sete linhas para os Orixás que já conhece. Cada um estudo mais aprofundado, é possível identificar todos os Orixás conhecidos nas mesmas sete vibrações, as sete linhas de Umbanda. Certa vez, um guia me falou: "Filho, quando lhe perguntarem o que são as sete linhas de Umbanda, diga que são as sete formas que Deus tem de nos Amar".

     Sacrifício animal não é um fundamento de Umbanda, o que quer dizer que para se praticar Umbanda não é necessário fazer sacrifício animal, e que a grande maioria dos terreiros de Umbanda não pratica o sacrifício animal. As práticas de sacrifício surgem, em alguns seguimentos de Umbanda, por influência do Candomblé e de outros cultos de nação. Geralmente, os terreiros que adotam sacrifícios animais se denominam como tendas de "Umbanda Africanista", que podem ser chamadas também de "Umbanda Mista", "Umbanda Trançada", "Umbanda Omolocô", ou "Umbandomblé". Este último pode se aproximar dos terreiros de Candomblé que passaram a trabalhar com entidades de Umbanda (Caboclos, Pretos-Velhos, etc.), ou vice-versa. Nesse caso, é difícil definir se é Umbanda ou Candomblé, embora sejam duas religiões distintas e com diferentes fundamentos.

Quanto ao ritual, é bem simples e musicado, na maioria das vezes segue uma sequência que pode variar um pouco, mas que em geral fica nesta ordem: oração, saudação à esquerda, bater cabeça, abrir cortina (quando tiver), defumação, hino da Umbanda, abrir a gira, saudação às sete linhas, saudação aos Orixás e guias chefes da casa, chamada de Orixás ou guias que darão sustentação ao trabalho e chamada da linha de entidades que dará atendimento (passe e consulta); ao final dos atendimentos, ocorre a subida das entidades, podendo, ou não, ter descarrego dos médiuns com esta ou outra linha que venha para tal atividade.

     A Umbanda não tem verdades inquestionáveis (dogmas) nem assuntos proibidos ou interditados (tabus). No entanto, para falar de fundamentos é essencial ter conhecimento de causa, conhecer profundamente o assunto e, no caso da Umbanda, conhecer sua história, doutrina, teologia, liturgia, ritualística... Caso contrário, como diria meu amigo, irmão e mestre, Rubens Saraceni: "Tudo permanece no campo de uma ciência chamada achologia, um campo de incertezas e divagações".
  

sábado, 24 de janeiro de 2015

INFLUÊNCIA E SUAS CONSEQUÊNCIAS

1. INTRODUÇÃO

O que se entende por influência? Quem influencia quem? Os Espíritos nos influenciam? Como? Como saber se os pensamentos são nossos ou se são dos Espíritos que nos acompanham? Como estamos influenciando o nosso próximo?

2. CONCEITO

Influência é o poder, o prestígio, a ascendência de pessoa ou de uma coisa sobre outra. É um poder que irradia valores, sentimentos, amor, conselho, edificação, ânimo, orientação, do educador para o educando. Tem uma abrangência universal e onidirecional.

3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

Vivemos no meio de raios, ondas, correntes, vibrações, mentes e mediunidade. A eletricidade e o magnetismo, o movimento e a atração palpitam em tudo. O veículo carnal é um turbilhão eletrônico regido pela consciência. Toda ação tem a sua consequência. O nosso modo de pensar influencia o nosso próximo, este o seu próximo, o seu próximo outro próximo e, assim, todos acabam influenciando o Planeta Terra que, por sua vez, influencia outros planetas. Pelo poder irradiante do pensamento, uma dor no outro lado do Planeta pode ser também nossa. Cada indivíduo, com os sentimentos que lhe caracterizam a vida, emite raios específicos e vive no meio de vibrações com as quais se identifica.

4. CARACTERIZAÇÃO DAS INFLUÊNCIAS

Tentaremos, nesse primeiro momento, identificar os tipos de irradiações, de vibrações, de influência que uma pessoa exerce sobre a outra. Poderia ser: neutra, má e boa.

4.1. INFLUÊNCIA NEUTRA

Pode uma influência ser neutra? Talvez seja difícil. Mas, para efeito de nosso raciocínio, Imaginemos aquela influência que é muito fraca, tanto para o bem como para o mal. São as pessoas que vivem como marginalizadas da sociedade, cujas ações são limitadas e sem impacto para os demais. São indivíduos de um teor energético muito baixo, sem forças para grandes empreendimentos. É como se nenhuma influência exalasse de suas ações.

4.2. INFLUÊNCIA NO MAL

São os indivíduos que vivem constantemente com os pensamentos malsãos, muitas vezes chafurdados no crime, na destruição do próximo. Como se costuma dizer, são pessoas de “vibrações pesadas”. As consequências deste tipo de comportamento não se restringem simplesmente a esta encarnação, mas pode ser estendida para as próximas. Os que reencarnam com paralisia e impedimentos físicos diversos podem ser exemplos claros dos hábitos menos felizes do passado delituoso.

4.3. INFLUÊNCIA NO BEM

As pessoas que pensam e praticam o bem exalam simpatia, amor e compaixão. Quando nos aproximamos delas, sentimos um bem-estar sem tamanho. Aqueles instantes robustecem a nossa energia, física e espiritual. Se, as consequências para quem pratica o mal são lastimosas, estas são prestimosas, pois nos dão mais liberdade de ação e mais conforto em nosso desencarne. É a coroação da passagem pela porta estreita dos sofrimentos, pela renúncia aos desejos, pela prática incessante da caridade.  

5. RELAÇÃO ENTRE MUNDO ESPIRITUAL E MUNDO MATERIAL

5.1. INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS IMPERFEITOS

Os Espíritos imperfeitos, de índole má, vêm até nós para nos arrastar ao mal. Eles não têm pena; chegam, muitas vezes de mansinho, como não querendo nada, mas no fundo desejam a nossa ruína, quer seja por vingança, quer seja por inveja do nosso estado atual. Se não tivermos forças suficientes para rechaçá-los, eles acabarão por nos dominar, levando-nos ao processo de obsessão e sua extensão à fascinação e à subjugação. As consequências, por lhe darmos atenção, não são nada agradáveis. E, conforme for a nossa conduta, podemos levá-las para outras encarnações.  

5.2. INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS SUPERIORES

Os Espíritos superiores só agem em função do bem. Eles não nos obrigam a fazer isso ou aquilo; dão-nos total liberdade de aceitar ou não as suas sugestões, as suas inspirações, os seus conselhos. Lembremo-nos do daimon socrático. Este Espírito superior só se pronunciava quando achava que Sócrates estaria seguindo um caminho para a sua ruína. Quando damos ouvidos ao nosso anjo da guarda e aos nossos protetores, as consequências são de mais liberdade em nossas futuras ações.

5.3. INFLUÊNCIA DOS ESPÍRITOS EM NOSSAS VIDAS

Duas questões, extraídas de O Livro dos Espíritos.   

459. Os Espíritos influem sobre os nossos pensamentos e as nossas ações?

— Nesse sentido a sua influência é maior do que supondes, porque muito frequentemente são eles que vos dirigem.

460. Temos pensamentos próprios e outros que nos são sugeridos?

— Vossa alma é um Espírito que pensa; não ignorais que muitos pensamentos vos ocorrem, a um só tempo, sobre o mesmo assunto e frequentemente bastante contraditórios. Pois bem: nesse conjunto há sempre os vossos e os nossos, e é isso o que vos deixa na incerteza, porque tendes em vós duas idéias que se combatem. Se fosse útil que pudéssemos distinguir claramente os nossos próprios pensamentos daqueles que nos são sugeridos, Deus nos teria dado o meio de fazê-lo, como nos deu o de distinguir o dia e a noite. Quando uma coisa permanece vaga é que assim deve ser para o nosso bem.

6. COMO ADMINISTRAR AS INFLUÊNCIAS NEGATIVAS

6.1. DESANUVIAR A MENTE

Aceitemos o convite do Espírito Emmanuel, que nos orienta a desanuviar a nossa mente todos os dias pela manhã. É de manhã, quando nos levantamos e ainda estamos envoltos com as influências recebidas durante o sono, que podemos renovar os nossos pensamentos e sentimentos para aproveitar o dia que passa. Podemos, também, fazer uma prece ou ler um texto evangélico. O importante é elevar o pensamento, entrar em contato com as forças superiores da natureza, no sentido de obter as forças necessárias para o cumprimento de nossos deveres.
  
6.2. REFLEXÃO SOBRE O DIA

Espelhemo-nos em Santo Agostinho que, todas as noites, repassava o seu dia para ver como fora em pensamentos, palavras e obras. Adquirindo esse hábito, vamos eliminando as más influências, pois podemos redirecionar as nossas energias para a obtenção da paz e da harmonia. Em síntese: o objetivo é criar boas consequências para os nossos pensamentos. 

6.3. OLHAR COMO SE ESTIVESSE EM CIMA DA MONTANHA

Quando os problemas são muitos e os encargos exagerados, criamos um quadro mental conturbado, nem sempre real. Se pudéssemos subir numa montanha, mesmo que fosse uma montanha mental, veríamos as mesmas coisas sob outro ângulo. Este exercício devolve-nos o equilíbrio mental e espiritual que momentaneamente havíamos perdido.  

7. CONCLUSÃO

Seja qual for o problema que nos visite, esforcemo-nos por manter os nossos pensamentos elevados. Com isso, influenciaremos positivamente aqueles que nos rodeiam.

8. REFERÊNCIAS:

KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. 39. ed. São Paulo: IDE, 1984.

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. 8. ed. São Paulo: Feesp, 1995.

XAVIER, F. C. Nos Domínios da Mediunidade, pelo Espírito André Luiz. 10. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1979.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

A Mediunidade na Umbanda: perguntas e respostas...

A mediunidade é sempre um tema coberto de mitos e dúvidas em todas as religiões. Na Umbanda não é diferente. Para auxiliar aqueles que desejam conhecer melhor sobre o assunto na Umbanda, foi elaborado este pequeno conjunto de perguntas e respostas. São explanações simples e objetivas destinadas ao leigo, ao iniciante no processo mediúnico e aos integrantes de outras religiões que desejam conhecer mais sobre a mediunidade na Umbanda. O tema é muito amplo e existem muitas teorias divergentes a seu respeito e cada casa religiosa possui suas próprias premissas. O que temos aqui reflete a maneira como é tratado da mediunidade na Casa do Pai Benedito (de onde tiramos esse texto). Para facilitar o entendimento, as dúvidas estão agrupadas em blocos de acordo com seu tema:

A Mediunidade na Umbanda

O que é a mediunidade na Umbanda?
     É um processo onde espíritos de luz, chamados de guias, utilizam de pessoas encarnadas (médiuns) como interlocutores para cumprir uma missão de caridade na terra.

É algum tipo de castigo ou punição?
    Não. A mediunidade na Umbanda é uma oportunidade de trabalho para evolução pessoal e resgate cármico do médium. Ninguém é médium para “pagar o que fez” em uma encarnação passada. É médium porque se propôs a colaborar com o trabalho divino no presente, em busca de um futuro melhor para todos.

Tenho medo. Isso é ruim?
     “O medo é parte integrante da mediunidade”. – palavras de Pai Benedito. O medo é útil quando traz cautela ao médium e o protege de eventuais perigos. É também perigoso quando enfraquece sua confiança e reduz sua sintonia com seus guias de luz. É preciso saber lidar com o medo a seu favor. Não tente eliminá-lo, pois ele só se fortalece. Exercite sua fé e amadureça seu espírito. Assim você vai ver o medo desaparecer gradativamente, sem você fazer força.

Posso “virar” médium se eu quiser?
     Médiuns todos são, embora alguns em grau mais suave. Mas ninguém pode se “candidatar” a médium de terreiro em algum momento da vida. Estas pessoas são escolhidas como instrumentos de trabalho antes de seu nascimento, sua encarnação nesta terra. Passam a ser cuidados e protegidos por seus guias até o momento de iniciar seu trabalho. Contudo, qualquer pessoa pode trabalhar na religião, desde que suas intenções sejam boas e sinceras. Há muitas outras tarefas na religião além do trabalho mediúnico, como: cambonos, ogãs, recepcionistas, palestrantes etc.

Por que os médiuns são chamados de cavalos?
     Esta é, na verdade, uma referência carinhosa dos guias para com seus protegidos. O cavalo é um elemento importante ao povo do interior. É um amigo fiel e instrumento vital ao sertanejo em todos os seus trabalhos. O cavalo é um instrumento vivo, um amigo que leva o sertanejo de forma rápida e segura e o permite alcançar terrenos onde seu condutor sozinho não poderia chegar. O bom médium representa a mesma coisa para seus guias de luz. Os médiuns também são chamados por outros nomes. Os mais comuns são: aparelho, matéria, burro entre outros.

Ser médium envolve algum risco?
     Sim. A mediunidade é a abertura dos canais energéticos do corpo astral para o contato com a espiritualidade. Se o médium se afinar com seres de luz, isso é extremamente benéfico. Caso isso não
aconteça, ele pode ser usado também pela espiritualidade negativa e se transforma em um instrumento da sombra. Por isso, o cuidado com o médium é tão importante, em todos os momentos de sua vida, não só no terreiro.

Como posso me proteger?
     Na verdade, cada casa possui seus próprios métodos: banhos, estudo, conduta moral, trabalhos e mirongas. Mas todos eles se resumem em uma única vertente: Um médium bem cuidado é aquele que
preserva sua ligação com as falanges de luz.

Por que “pego os ‘carregos’ dos outros”?
     “Carregos” é o nome geralmente dados à energias nocivas que as pessoas “carregam” em seu campo astral. Há médiuns que tem a característica de “retirar” essa energia de outras pessoas. Se
isso ocorre no terreiro, não costuma trazer grandes problemas, mas se acontece em todo lugar, é sinônimo que o médium está desprotegido ou em desequilíbrio.

O que são puxadas?
     São processos comuns em alguns terreiros, onde espíritos sofredores ou obsessores de um consulente são “puxados” para o campo astral dos médiuns por meio do magnetismo. Acontecem de forma intencional ou involuntária, para fins de tratamento do consulente e do espírito retirado.

O que é corrente mediúnica?
     É uma força energética de proporções superiores e muito útil, formada por vários médiuns juntos em um trabalho direcionado. Por isso é comum ver médiuns enfileirados cantando juntos em sessões de Umbanda, por exemplo. O que acontece se eu for chamado ao trabalho mediúnico e recusar? Varia de acordo com o médium e a casa. Esta deve ser uma decisão livre, mas existe sim relatos de casos onde isso envolve bastante sofrimento, seja por ignorância do médium ou dos condutores de sua casa.
Mas não é incomum ouvir que o médium vai “apanhar” do santo e sofrer para o resto da vida em casos semelhantes. Na verdade, o trabalho mediúnico é uma oportunidade e não uma condenação. E
este trabalho é combinado entre o médium e seus guias ainda no plano espiritual, antes de seu nascimento. Romper com este acordo traz as implicações cármicas de quem se furta ao compromisso combinado com falanges de luz, e não a “surras” de espíritos.

Por que se diz que alguém está “apanhando do santo”?
     Isso ocorre quando a mediunidade de alguém encontra-se em sério desequilíbrio ele fica sujeito diversas interferências de espíritos em momentos inoportunos de sua vida. Tem diversas causas. Entre elas, o abandono do trabalho espiritual e da proteção por parte de seus guias e protetores.

O que é mediunidade cármica?
     É quando o médium tem um compromisso muito arraigado com seu resgate cármico no trabalho mediúnico. Nestas ocasiões os espíritos tentam de toda forma trazê-lo ao trabalho e, quando ele se recusa, seu desequilíbrio energético e emocional é grande. Há também a chamada mediunidade de missão, ou missionária, quando alguém se propõe ao trabalho mediúnico para seu progresso, mas não
tem compromisso de resgate a fazer. Neste caso os efeitos são mais amenos se por ventura abandonam os trabalhos. Em ambos os casos, a questão é definida antes do nascimento do médium, ainda no plano espiritual. Em ambos, o abandono dos trabalhos é algo muito triste para toda a espiritualidade.

Ao iniciar um trabalho na Umbanda, sou obrigado a permanecer nele para o resto da vida?
     Não. Esta é uma decisão do médium, em parceria com suas entidades de trabalho. O trabalho pode ser interrompido por diversas causas: questões pessoais do médium, saúde, trabalho e até por simples desejo de abrir mão desta oportunidade. Contudo, a pessoa deixa o trabalho mas não deixa nunca de ser médium. É preciso se cuidar.

Como me desligar do trabalho mediúnico?
     Deve-se impreterivelmente conversar com os chefes de seu terreiro. Nunca “saia simplesmente, para nunca mais voltar.” O guia do terreiro é a pessoa ideal para lhe ajudar neste desligamento e tomará as
providências necessárias quando for o caso. Contudo, deve ser uma decisão muito bem refletida. Quando um médium interrompe seu trabalho na Umbanda, ele interrompe também o trabalho de toda
uma falange com centenas de trabalhadores espirituais. O que é muito triste.

Espíritos de umbanda escrevem, psicografam?
     Sim. Depende das características do médium que acompanham.

A Incorporação

O espírito “entra” no médium durante a incorporação?
     Não. Na verdade o espírito se aproxima e encobre o médium com sua energia, conectando-se com ele e assumindo seu corpo através de ligações energéticas em seus chacras. Quanto mais próximo o espírito fica de seu médium, mais intensa é a incorporação.

Existe incorporação fraca?
     Sim. E seus resultados são catastróficos. Quanto melhor for a ligação entre médium e seu guia, mais autêntica é sua manifestação. Daí surge a necessidade de uma boa preparação dos médiuns. Um dos reflexos mais comuns de médiuns “mal incorporados” é o animismo e a mistificação.

O que é animismo e mistificação?
     Animismo é quando o médium manifesta personas de seu inconsciente e não um espírito legítimo. Neste caso, o choro, rizo,alegria, tristeza e o discurso são criados na mente do médium, mas ele acredita que aquilo vem de um espírito desencarnado. A Mistificação é a fraude da incorporação. O médium finge estar incorporado e sabe o que está fazendo. Acontece com médiuns maliciosos, que pretendem enganar as pessoas (normalmente para obtenção de algum benefício) e com médiuns despreparados mas aflitos, que são muito pressionados por seus colegas e passam a forjar a incorporação para se verem livres da cobrança alheia por “resultados”.

Como evitar estes problemas?
     Um bom médium passa sempre por um bom processo de desenvolvimento ou educação mediúnica. Neste processo, ele conhece estas e outras ameaças e se prepara para lidar com elas. Um bom médium nunca é perfeito, mas se prepara constantemente para lidar com suas imperfeições.

Médiuns experientes passam por este tipo de dificuldade?
     Sim. Sempre que a sintonia entre o espírito e o médium se enfraquece, a incorporação torna-se falha. Quando isso acontece, é indicado que o médium restabeleça seu equilíbrio e peça a interrupção de seus trabalhos se julgar necessário. Contudo, é comum que os médiuns enfraquecidos persistam em seu trabalho mesmo assim, por medo de serem criticados ou descredibilizados por seus companheiros de terreiro. Um erro de ambos.

O que são mediunidades consciente e inconsciente?
     Mediunidade inconsciente ocorre quando o espírito toma o médium de tal forma que ele perde a consciência, é como se ele adormecesse. Sua principal vantagem é que, estando “adormecido” o médium não oferece muita resistência ou interferência nas manifestações do espírito guia. Uma desvantagem é que, se tomados por espíritos desordeiros, podem executar tarefas torpes sem que percebam isso com clareza. São médiuns cada vez mais raros. Mediunidade consciente, ou semiconsciente, é aquela onde o médium percebe parcial ou totalmente o que ocorre durante a incorporação. Ele não “adormece”. Uma vantagem é que, se forem bem preparados, eles se mantém alerta à interferência de espíritos desordeiros caso isso ocorra, impedindo sua ação negativa. Uma desvantagem é que, estando mal preparados, eles interferem na manifestação das entidades de luz. Bloqueiam seus comandos e, por vezes, até assumem a condução do trabalho, o que é muito perigoso.

Quais as confusões relacionadas à mediunidade consciente e inconsciente?
     Na verdade, este é um ponto de grande conflito. Muitos médiuns absolutamente despreparados assumem o trabalho de atendimento público e cometem vários erros. Quando o problema vem à tona, a desculpa mais comum é sempre a mesma: “Ah, isso acontece porque ele é médium consciente”. Mas isso é um grande erro. Tais problemas acontecem porque os médiuns são mal preparados e mal
cuidados. Esta postura acabou marginalizando o médium consciente, como se ele fosse sinônimo de médium ruim ou fajuto. A partir daí os conflitos de opinião são inevitáveis. Muitos médiuns conscientes se afligem e mentem, dizendo ser inconscientes, para não serem taxados de fajutos. Outros, partem para o polo oposto, dizendo que médiuns inconscientes “não existem”, para não se sentirem memores que seus colegas. Neste contexto, há ainda os médiuns verdadeiramente inconscientes que escondem sua condição para não serem discriminados por seus colegas. Este é um bom exemplo dos problemas que podem ser criados pela ignorância e falta de preparo do umbandista. Em resumo, há sim médiuns bons e ruins, sejam eles conscientes ou não. Mas isso é devido à sua mal preparação e falta de cuidado, não à sua condição mediúnica.

Existem médiuns fortes ou fracos?
     Sim. Ninguém nesta terra é igual e possui características melhores e piores em todos os aspectos de sua vida, incluindo na mediunidade. Contudo este é um tema delicado e raramente abordado pela espiritualidade. O orgulho e a vaidade dos encarnados os torna particularmente vulneráveis neste ponto, pois quase ninguém está pronto para se ver melhor ou pior que seu irmão. Grandes conflitos,
disputas e perseguições são desencadeadas por conta disso. Assim, costuma-se dizer que “todo mundo é igual,” para evitar conflitos, mas pode-se observar estas diferenças no dia a dia.

Espírito incorporado fala pelo celular?
     Espíritos incorporados se comunicam com outros espíritos à distância sem aparelhos ou instrumentos. Para falar com os encarnados nestes casos é comum que eles enviem seus recados por intermédio de outras pessoas. Contudo, o atendimento espiritual é algo pessoal demais e envolve procedimentos energéticos bem além de uma simples mensagem. Tais tarefas não podem ser feitas pelo celular.

É possível dar consultas pela internet?
     É possível prestar atendimento em todo lugar, até escolhendo batatas no supermercado, pois uma pessoa é médium em tempo integral e não somente no terreiro. Uma boa intuição espiritual pode se tornar uma palavra de alento que transforma a vida de seu vizinho, esteja você onde estiver. Contudo, o trabalho de um médium incorporado é algo muito sério e requer preparações muito sólidas. A internet pode ser usada como meio de recados, assim como telefones. Mas não é capaz de estabelecer o campo energético necessário a um bom atendimento espiritual.

Médium de umbanda em outras doutrinas

Quais as diferenças e semelhanças entre os médiuns de Umbanda e do Espiritismo de Kardec?
     As semelhanças são muitas. Ambos trabalham para o amparo de espíritos encarnados e desencarnados. Mas algumasdiferenças são mais flagrantes. Em sua maioria, os médiuns do Espiritismo se propõem a receber espíritos sofredores necessitados de ajuda, recebendo eventualmente guias de luz para sua orientação. Na Umbanda, o cerne do trabalho do médium é servir de veículos para espíritos de luz que prestam amparo a encarnados e desencarnados aqui na terra. Na Umbanda as faculdades mecânicas são também mais amplamente exploradas pelos espíritos incorporados.

Médium de Umbanda é menos evoluído que os da doutrina de Kardec?
     Existem médiuns em diversos graus de evolução. Seja na Umbanda, no Espiritismo ou em qualquer outra doutrina. Sua evolução está relacionada à sua dedicação ao próprio progresso, não à religião.

O que são “linhas cruzadas com nação na cabeça do médium”?
     Esta é uma expressão comum e também um tema um pouco polêmico. Resumidamente falando, há médiuns com suas falanges de trabalho (equipe de guias e seus trabalhadores) bem definidas. Da Umbanda, do Candomblé (também chamado de “nação”) ou do Espiritismo. Mas há outros onde esta definição não é clara. Linhas diferentes (normalmente de Umbanda e Nação) se interpõem tentando
assumir a frente dos trabalhos. Neste caso a manifestação mediúnica é comumente abrupta, com contorções e movimentos desconexos de natureza relativamente violenta. Quando isso ocorre, o médium precisa de cuidado e esclarecimento para avaliar os caminhos que se abrem a ele em cada vertente religiosa. Ciente disso, ele deve então definir qual vertente deseja seguir.

Um médium de uma religião pode trabalhar em outra?
     Poder até pode, afinal somos todos livres. Mas não é nada aconselhável. Quando um médium é destinado a uma religião, seja qual for, sua falange de trabalhadores espirituais está direcionada àquela doutrina. Se ele muda de religião, estas falanges são obrigadas a se adaptar a uma nova condição, restringir ou até abandonar seu trabalho junto àquele aparelho.

Um médium de Umbanda pode trabalhar em vários terreiros distintos?
     Não é impossível, mas pode ser uma fonte de conflitos, chegando a ser proibido em algumas casas. Cada casa de Umbanda possui uma característica energética muito marcante e distinta, às vezes até antagônicas. Ao frequentar tais casas, o médium se expõe a estas forças e pode entrar em desequilíbrio, prejudicando o seu trabalho e de seus companheiros. Exemplo: Uma casa especializada no corte de demandas (magias negras) possui energia arrebatadora e abrupta. Já uma casa especializada em curas espirituais, necessita de uma energia mais etérea e apurada para prestar um bom serviço. Um médium que frequenta as duas casas pode se tornar frágil demais para as sessões de
descarrego, e enérgico demais para sessões de cura.

As falanges de trabalhadores da Umbanda

O que são os guias na Umbanda?
     São espíritos que atingiram um grau acentuado de iluminação e sabedoria a ponto de poderem assumir a condução e orientação de pessoas encarnadas na terra.

O que são protetores na Umbanda?
     São espíritos que atingiram um certo grau de iluminação, mas não a ponto de assumirem a condução de pessoas encarnadas na terra. Assim, agem como seus protetores.

O que é chefe de cabeça?
     Cada médium tem sempre um espírito que é líder em seus trabalhos. Todas as falanges de trabalhadores ligadas àquele médium estão subordinadas a ele. Este é o chamado “chefe de cabeça”. Comumente é um caboclo ou preto velho, mas pode também pertencer a outras falanges em casos específicos. Por isso se diz que “fulano” tem “tal” caboclo “de frente”, por exemplo.

Como saber meu chefe de cabeça?
     Ele mesmo deve se apresentar. É um erro comum tentar prever isso no momento errado ou o médium tentar “forçar” que seja esta ou aquela entidade, por questões de afinidade.

Qual das falanges é mais forte?
     Nenhuma delas. Cada uma é forte naquilo em que se especializa. As falanges de Umbanda são fortes por trabalharem unidas. Este tipo de disputa, quando acontece, tem origem na imperfeição dos médiuns encarnados.

Falanges distintas podem disputar um médium?
     Este é um tema delicado. De fato acontece, mas não nos moldes como se diz. É comum que os guardiões, ou exus, do médium se coloquem à frente. Isso de deve a duas causa principais: Na primeira, o exu ainda não tem o esclarecimento apropriado e se coloca de fato “na frente” dos outros, por julgar-se “dono” daquele aparelho. Neste caso ele precisa ser esclarecido e orientado. O uso de oferendas é relativamente comum nestas ocasiões. Na segunda causa, é o médium que está tão afinado com a energia do seu guardião, que ele simplesmente não consegue se ligar a outros guias ou protetores. Por magnetismo, ele se liga imediatamente ao guardião, mesmo quando outros falangeiros deveriam incorporar. Exu está apenas ali, de guarda, fazendo seu trabalho. Mas acaba levando a culpa.

Tenho que incorporar todas as falanges de Umbanda?
     Isso não é uma regra geral. Todos os médiuns de Umbanda tem ao menos um caboclo, um preto velho, uma criança a e um exu incorporante em sua falange de trabalhadores Se as outras linhas (ciganos, baianos, boiadeiros, marinheiros etc.) vão incorporar também ou quantos serão, isso varia de acordo com a casa e o médium.

Quantos caboclos ou pretos velhos eu devo ter?
     São muitos os falangeiros que trabalham com um médium, centenas. Mas somente alguns líderes de falange incorporam. Isso é definido na espiritualidade e não pelo aparelho ou pela casa em que ele trabalha.

Gosto mais de trabalhar com uma entidade do que com as outras. Isso é errado?
     Não. Isso é, aliás, muito comum. Errado é impedir que outras entidades trabalhem só porque você gosta de uma delas. Quase todo médium tem mais afinidade com alguma falange específica de trabalhadores.
 
Quando um caboclo bate forte no peito, ou fala muito alto, é porque ele é muito forte?
     Não. É sinal apenas de que ele fala alto, ou que o médium se sente inseguro e forja manifestações extravagantes para reafirmar sua mediunidade diante dos colegas. Tais questões devem ser orientadas pelo chefe de terreiro. É um erro querer imitar a “extravagância” dos outros ou julgá-los extravagantes demais. A raiz destes erros ainda permanece a mesma: a insegurança e o medo de parecer menor diante de seus colegas de terreiro. 

Uma entidade incorporada deve utilizar adereços como cocares, chapéus ou capas?
     Cada casa possui seus instrumentos e não devemos julgá-la melhor ou pior por isso. Na Casa do Pai Benedito utilizamos bengalas, guias e ponteiros. Não utilizamos contudo capas, cocares ou coisas do gênero. É um erro dizer que um espírito depende de tais instrumentos para trabalhar, ou que nenhum espírito jamais deveria utilizá-los. Tal questão está, na verdade, mais ligada às condições de trabalho encontradas aqui na terra do que às necessidades dos espíritos do céu.

Todo exu ri quando incorpora? E por que eles riem?
     Isto é um tipo de sinal, uma identidade de alguns exus. Pode ser usado como um chamado às suas falanges de trabalhadores, como um agente sonoro de energização do ambiente, ou até mesmo como um instrumento de descontração da conversa. Mas não é uma obrigatoriedade. É comum, contudo, médiuns iniciantes forjarem risadas escandalosas ou sinistras em suas manifestações mediúnicas para se afirmarem diante dos colegas. Mais uma vez, um erro devido à insegurança, medo e falta de conhecimento.

O que o meu guardião tem a haver comigo?
     O guardião do médium é um ponto chave em seu progresso, pois os dois possuem normalmente uma afinidade muito grande quanto à natureza de seus resgates cármicos. Mas estes são temas muito delicados e podem gerar confusão se abordados inadequadamente. Devem ser conversados diretamente com entidades apropriadas para tratar do tema.

Existe alguma ligação entre os trabalhadores espirituais do médium e a sua casa religiosa?
     Sim. Afinal, eles se tornam membros daquela equipe de trabalho. Há casos onde as falanges de trabalho de um médium não se afinam com um a espiritualidade da casa onde ele escolheu trabalhar. Se isso ocorre, ele raramente consegue permanecer nesta casa, pois o trabalho fica comprometido em sua raiz.

Um espírito pode se passar por outro durante a incorporação?
     Sim. No caso de espíritos de luz, é raro,mas podem fazer isso para testar seus médiuns em ocasiões apropriadas. Já no caso de espíritos malfeitores, eles podem invadir qualquer sessão mediúnica “fantasiados” com outra roupagem deste que encontrem brechas para isso. Daí a importância de uma casa segura para se trabalhar e de um bom desenvolvimento mediúnico que nos permita identificar claramente a energia dos espíritos que nos assistem. Esta identidade energética, ao
contrário da roupagem, nunca pode ser imitada ou falsificada.

O desenvolvimento e a manifestação mediúnica na Umbanda

Como acontece o desenvolvimento mediúnico?
     Não existe fórmula específica e cada terreiro possui seus próprios procedimentos. No geral, os médiuns iniciantes primeiro devem conhecer e se afinar com o terreiro, até começar a participar das sessões de desenvolvimento. A partir daí, os guias daquele médium vão se aproximando gradativamente o que provoca uma série de sensações no corpo e na mente do médium. As primeiras
manifestações consumam ser irregulares, com espasmos e outras reações que chegam até a ser violentas. Com o passar do tempo, a ligação mediúnica se fortalece sua manifestação se torna cada vez mais natural e fluída, até o ponto de ele estar preparado para o trabalho na Umbanda. Durante este processo o médium apara inúmeras arestas tanto em sua mediunidade, quanto em sua moral e seu íntimo.

Por que ocorrem reações violentas no processo de incorporação?
     Há inúmeras causas. A mais comum delas é a falta de preparo apropriado do médium. No início do desenvolvimento, é comum a entidade desprender energia demais para alcançar o corpo astral do médium, que por sua vez ainda não está preparado para isso. Assim o médium tem a sensação incômoda, de “muita energia estagnada no corpo”. Quando esta energia, por fim, encontra caminho para fluir, isso ocorre subitamente, “tudo de uma vez”. Por isso ocorrem os espasmos e reações violentas. Durante esta fase, é importante que os companheiros de terreiro estejam atentos para evitar que o médium se machuque. A falta de entendimento e excesso de vaidade, contudo, geram mitos do tipo: “Nossa, meu caboclo é tão forte que me quebrou todo...”

Quanto tempo deve durar um desenvolvimento mediúnico?
     O bom desenvolvimento não é medido em tempo, mas sim em qualidade. O processo deve durar o quanto for necessário para que o médium esteja seguro e capaz de desempenhar suas funções.

Um médium que não concluiu seu desenvolvimento pode atender pessoas?
     Poder não pode, mas acontece. Este é um ponto polêmico na maioria dos casos. Não é raro médiuns em processos iniciais de desenvolvimento serem escalados para atender consulentes. Assim como também não é raro estes consulentes saírem das  consultas confusos e com altos graus de perturbação. Os riscos são grandes para o médium, para o consulente e para todos ao seu redor. Mas quando isso ocorre, todos têm sempre alguma desculpa que justifique sua postura e mascare seus
erros. A nossa casa tem uma norma interna: nenhum médium pode trabalhar incorporado no terreiro antes de concluir seu desenvolvimento mediúnico.

É possível que o médium não esteja incorporado com espírito algum, embora se manifeste como se tivesse?
     Sim. Isso pode ocorrer por engano do médium (o animismo) ou pela ação de médiuns fraudadores (a mistificação). Tal fato é, infelizmente, mais comum do que se imagina. No caso do animismo, são
permitidos em alguns terreiros quando há questões psíquicas ou cármicas muito arraigadas envolvendo o médium. É uma atitude de caridade, pois mesmo à sua maneira, estes médiuns estão recebendo auxílio da espiritualidade superior naquele instante. No caso da mistificação, jamais deveriam ser permitidos. Mas nem sempre os dirigentes do terreiro tem olhos a perceber isso. Nenhum médium jamais deve prestar atendimento ao público em qualquer uma destas situações.

O que é “cangar” o médium?
     É como as entidades denominam o processo de desenvolvimento. “Cangar” significa “preparar” o médium para o trabalho.

O que é “pembar” o médium?
     É um tema delicado e controverso. Em linhas gerais, é quando um chefe de terreiro usa de feitiços e mirongas para subjugar seus médiuns. Na maioria dos casos é usado como instrumento de ameaça ou vingança. Tal prática geralmente é vedada.

Qual a diferença na incorporação de orixás?
     Orixás não incorporam, pois sua energia é intensa demais para que o corpo astral de um médium possa suporta esta ligação. Contudo estes orixás possuem seus encarregados, espíritos também superiores, porém de luz mais tênue. Ainda assim sua luz é intensa demais para permitir uma incorporação completa. São estes que se manifestam em giras de orixá nos terreiros de Umbanda. Eles apenas se aproximam do médium para toma-lo como veículo na irradiação de sua energia pelo plano físico terrestre. Por isso, durante estas incorporações, o médium não fala, se move de maneira restrita e, comumente, ritmada, como se estivesse aplicando passes energéticos.

É possível o médium incorporar o “espírito errado”?
     Se for despreparado, sim. É comum o médium ansioso se afobar durante o processo de desenvolvimento, no afã de manifestar diversos espíritos. Com isso, abandona sua condição de passividade e passa a conduzir a incorporação, ao invés de permitir que o espírito faça isso. Em um tipo de reação anímica, ele acredita estar incorporado com uma entidade quando, na verdade, que está presente é outra, que pouco pode fazer além de assistir à tudo de forma lastimosa. Durante o desenvolvimento, dedique um tempo para afinar sua percepção sobre as entidades que o cercam. Procure conhecê-las e nunca se coloque à frente delas. Você deve se oferecer como instrumento da
espiritualidade e não a espiritualidade se prontificar ao seu serviço.

Como se explica o fato de, por exemplo, Maria Padilha estar incorporada em vários lugares e vários médiuns diferentes ao mesmo tempo? É possível se incorporar em vários médiuns simultaneamente?
     É possível sim, como descrito na literatura de Kardec, que espíritos de alta envergadura se manifestem em vários médiuns ao mesmo tempo, mas não é este o caso no terreiros de Umbanda. Maria Padilha, 7 flechas, Pena Branca entre outros são nomes das falanges de trabalho. Todos os espíritos pertencentes àquele grupo se manifestam com o mesmo nome quando estão em terra. Mas tratam-se de espíritos, de individualidades diferentes. Assim, não é a Padilha que está em vários lugares ao mesmo tempo. São vários espíritos da mesma falange, em vários lugares, utilizando o mesmo nome.

Por que as entidades se manifestam de forma semelhante?
     Para um médium vidente, é fácil identificar qual espírito está incorporado. Basta “ver”. Mas para a maioria das pessoas, não é simples assim. Por isso, cada falange de trabalhadores possui comportamentos, movimentos e sons que nos auxiliem a identificar sua presença. Caboclos costumam bater no peito, pretos velhos curvam-se frequentemente e exus dão boa noite a todos, mesmo quando é dia. Estas são algumas destas características. Por trás de cada uma delas, há ainda outros conceitos particulares, que variam muito de acordo com a falange espiritual e o terreiro onde ela trabalha.

É possível que um uma entidade “imite” a outra quando incorporada?
     A imitação é possível e até muito comum, mas não por parte da entidade. Cada espírito tem sua própria individualidade. O ideal seria que todo médium oferecesse condições ideais para que eles se manifestassem segundo sua própria natureza. Porém, devido principalmente à ansiedade dos médiuns iniciantes ou má preparação dos médiuns experientes, eles mesmos buscam referências em outros espíritos para se sentir mais confiantes e passam a imitá-los. Esta questão, contudo, envolve muitos detalhes e deve ser tratada somente pelos dirigentes e entidades comandantes de cada casa. Médiuns que se julgam capazes de “decidir” qual manifestação é autêntica ou não podem tornar-se alvos fáceis da espiritualidade sombria e desencadear conflitos sérios no terreiro.

Como devo saber o nome das entidades que vão trabalhar comigo?
     Elas devem se apresentar. Evite ficar imaginando como isso seria, pois a ansiedade pode prejudicar seu progresso.

Por que é pedido que as entidades risquem ou cantem seus pontos?
     Estes são instrumentos de confirmação da presença da entidade junto a seu médium. Estes pontos são chaves da identidade dos espíritos e suas falanges, somente um médium bem incorporado pode traçá-los
corretamente.

Com saber se o ponto riscado pela entidade está correto?
     Isso é sabido pelas entidades chefes do terreiro e deve ser confirmado por elas. Quando o traçado ou o ponto cantado estão perfeitos, ele é autenticado pelo regente da casa. Quando algo está errado, o médium é carinhosamente orientado pelo guia a se preparar melhor, para permitir uma incorporação mais fidedigna na próxima oportunidade

“Sou eu ou a entidade que está falando?” Como se livrar da eterna dúvida?
     Esta é talvez a dúvida mais comuns aos médiuns iniciantes. E se sua resposta fosse simples, não seria mais dúvida alguma. Na verdade, a interferência de médiuns no contexto da incorporação é muito comum no princípio do desenvolvimento e deve ser encarado como algo normal. Somente com o exercício, o médium diminui sua ansiedade e cede espaço para que a entidade se manifeste com liberdade e clareza. Durante este período o médium precisa de entrega absoluta esta experiência. Ignorar o julgamento alheio e recorrer sempre aos dirigentes do terreiro para ajustar o que for preciso.
Não há regras absolutas. Contudo, há alguns indicadores típicos de interferência dos médiuns seja na comunicação, seja na movimentação do corpo. O médium está comumente travado, restringindo a ação da entidade, quando:

- A entidade incorporada não fala nada, mal se move nem sai do lugar;
- O médium tropeça, se desequilibra ou cai com frequência no processo de aproximação;
- O médium inicia o processo de incorporação mas ele se rompe “no meio do caminho”.

Por outro lado, são indicadores de animismo, de exacerbação da ação do espírito, quando:

- A entidade grita muito, fala muito alto ou se movimenta exageradamente;
- Quando há um excesso de tiques nervosos,
sotaques ou ações incompreensíveis;
- Quando o que ele diz não corresponde com a realidade ocorrida;
- Quando o espírito manifesta opiniões que na verdade são do médium e não dele.

     Este último caso é sempre uma questão delicada de se analisar. Contudo há uma dica que pode ajudar: A palavra de um espírito de luz possui um tipo de sabedoria claramente identificada em seu discurso, mas que dificilmente pode ser vista no discurso do encarnado. Eles não tomam partido em conflitos terrenos. Guardam uma imparcialidade ímpar nestes conflitos, mesmo quando seus aparelhos estão envolvidos, pois reconhecem todos como filhos de Deus carentes de esclarecimento e auxílio nesta terra. Esteja atento a este tipo de sabedoria. Onde você encontrá-la, estará falando com um guia autêntico.

Devo conversar com entidades incorporadas nos outros médiuns em desenvolvimento mediúnico?
     Isso varia de acordo com as regras de cada casa. Em linhas gerais, é bom porque serve
de exercício para o médium em desenvolvimento. À medida que a conversa flui, a entidade fortalece sua ligação e reduz as interferências do aparelho na comunicação. Mas isso requer alguns cuidados. Deve-se ter em mente de que tratam-se de médiuns “em desenvolvimento”, por isso passíveis de falhas e interferências na comunicação (o que é perfeitamente normal nesta fase). As mensagens devem ser analisadas antes de serem tomadas como verdade. Nestas ocasiões há um risco especial quando as pessoas envolvidas são parentes ou conhecidos muito próximos, pois o risco de
interferência do médium é ainda maior devido à questões armazenadas em sua
mente.

Por que saímos tão esgotados de algumas sessões de desenvolvimento mediúnico?
     Há várias causas. Os médiuns realmente despendem muita energia na tentativa de estabelecer uma boa conexão mediúnica no início do desenvolvimento. Carências na preparação do médium ou da corrente também podem trazer este efeito, como a falta de um banho de ervas adequado ou a perda de energia para entidades mal intencionadas. Contudo, existe outra causa comum, sem ser necessariamente um problema. Em um dado momento do desenvolvimento, a entidade chefe de cabeça do médium assume a frente dos trabalhos e passa a recolher sua energia para que ela seja distribuída entre todos os espíritos que fazem parte de sua corrente de trabalho. Com esta energias eles formam um tipo de chave de proteção. Somente aqueles espíritos que possuem esta chave tem acesso ao campo astral daquele médium, tornando-o resistente à ação de espíritos desordeiros ou sofredores. Todos passam por isso embora, na maioria dos casos, nem percebam.

Para que servem os banhos durante o desenvolvimento?
     São instrumentos de harmonização e sintonização do corpo astral do médium com seus guias espirituais. Ao tomar estes banhos, o médium desenvolve previamente um tipo de energia receptiva
ao espírito que se aproximará dele. A sintonia e incorporação nestes casos ocorre muito mais facilmente.

Posso pedir que as entidades que trabalham comigo não usem fumo ou bebida? Para que eles servem?
     Esta é uma questão bastante mal compreendida. Inicialmente, as entidades de Umbanda não fumam. Elas usam o fumo com um tipo de defumador, de agente de limpeza das energias deletérias que carregamos. Quando eles fazem uso desta ferramenta no desenvolvimento, é justamente para depurar seu aparelho mediúnico e, assim, permitir incorporações mais fáceis e firmes. Se o médium impede o seu uso, impede também este procedimento e dificulta seu progresso. A questão da bebida alcoólica é similar. É usada também para limpeza, porém de natureza mais profunda, comumente nos
trabalhos e incorporações de exus. Contudo, a ingestão da bebida em médiuns não devidamente preparados ocasiona efeitos nocivos, onde médiuns chegam ao final da sessão completamente bêbados sob a alegação de que a “entidade bebeu muito”. Isso gera uma abertura muito perigosa para a ação dos espíritos da sombra no terreiro. Por isso, a ingestão de bebidas é proibida em muitas casas. Quando cachaça é necessária, seu uso é sempre externo, nunca ingerido pela entidade incorporada.

Para que servem os trabalhos e oferendas? Eles são necessários?
     A necessidade ou não é questionada dependendo da vertente religiosa do iniciado. Controvérsias à parte, eles são muito úteis. São instrumentos de movimentação da energia necessária para a sintonização energética entre um médium e suas entidades de trabalho. Caso esta energia não seja acionada por meio de oferendas, terá que ser feita de alguma outra forma. 

O que é “fazer camarim”?
     Este é um termo de origem nos cultos africanos. É um período em que o médium fica recolhido no terreiro sem contato com o mundo externo. Vários trabalhos de iniciação do médium podem ser feitos nesta ocasião. O período pode variar de algumas horas, dias, semanas ou até meses. Dentro das premissas definidas por Pai Benedito em nossa casa, estes trabalhos nunca envolvem sacrifício de animais ou rituais de sangue.

O que é “coroação”?
     É como se chama a iniciação do médium. Um tipo de “Primeira Comunhão” na Umbanda. Após o seu primeiro camarim, o médium é “coroado” em uma celebração muito bonita e torna-se oficialmente apto a trabalhar como um “cavalo de terreiro”,incorporado com entidades de Umbanda.

REFERÊNCIA: 

A Mediunidade na Umbanda: Perguntas e Respostas (Tenda Espírita Pai Benedito de Aruanda).

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Os Fluidos e o Passe...

Que são fluidos?
Os fluidos são o veículo do pensamento dos Espíritos, tanto encarnados quanto desencarnados. Todos estamos mergulhados no fluido cósmico universal, substância básica da Criação, que varia da imponderabilidade até a ponderabilidade. Os fluidos espirituais estão impregnados dos pensamentos dos Espíritos, portanto varia de qualidade ao infinito. A atmosfera fluídica é formada pela qualidade dos pensamentos nela predominantes.


O que é o Passe?
É a transferência de fluidos de uma pessoa a outra, através da prece e imposição de mãos, procedimento largamente usado nos centros espíritas. As energias são oriundas dos fluidos humanos (do passista) e fluidos espirituais (dos Espíritos que trabalham com a equipe de médiuns). Existem três tipos de magnetismo: o humano, o espiritual e o misto. O tipo de magnetismo utilizado nas casas espíritas é o misto, pois à ação dos encarnados soma-se a ajuda benéfica dos Espíritos que trabalham na área, qualificando, direcionando e potencializando os fluidos.


O que é um passe anímico?
Animismo é um termo usado para designar a ação oriunda do próprio médium. Passe anímico é aquele em que se utiliza o magnetismo humano (do médium). Allan Kardec nos ensina que os fluidos oriundos do magnetizado sempre recebe a ação espiritual, mesmo que ele não acredite nisso, pois todos possuem anjos guardiães ou guias espirituais. Além do mais, estando mergulhado no fluido cósmico universal, o passista sofre a ação do mundo espiritual sobre ele. Nos centros espíritas, onde teoricamente os Espíritos estarão trabalhando em muito maior escala, não se concebe que tenha um passe sem a ajuda deles. Seria um contra-senso. Os passes aplicados nos centros espíritas não são, portanto, anímicos. Algumas técnicas e conceitos sobre o passe foram divulgadas no Movimento Espírita por Edgar Armond (um esoterista que converteu-se ao Espiritismo) e ainda o são, pela Federação Espírita do Estado de São Paulo - FEESP, orientada no passado por ele. É daí que vem as teorias dos passes anímicos e outros tantos que vemos nas casas espíritas. Mais instruções sobre o assunto podem ser encontradas na apostila Espiritismo para Iniciantes, no capítulo "O Passe".


Existe passe especial?
O passe especial foi uma denominação inadequada dada ao passe ministrado às pessoas em tratamento nos centros espíritas. Logo foi visto como sendo "diferente" e as pessoas querem recebê-lo a todo custo. Na maioria das vezes é desnecessário, pois o passe convencional atende às necessidades gerais. A diferença entre os passes está na equipe espiritual que secunda os passistas no momento do atendimento, no tempo de imposição das mãos sobre o paciente e nas diversas fases do processo terapêutico utilizado nas casas. E, é claro, depende das condições morais de quem o aplica. De nada adiantam técnicas, formas ou teorias especiais se o passista for pessoa de má índole ou não trabalhar por sua depuração moral.


Qual diferença entre passe magnético e passe espiritual?
O passe magnético é aquele onde a energia utilizada provém apenas do encarnado, ou seja, é utilizado o magnetismo humano. No passe espiritual são utilizados os fluidos dos Espíritos, que do mundo invisível agem sobre os indivíduos. No passe misto existem os dois tipos de fluidos, o humano e o espiritual, sendo largamente utilizado nos centros espíritas na cura das doenças físicas e psíquicas.


Existem milagres?
O milagre é fenômeno que não se consegue explicação racional e nos parece sobrenatural. Na verdade é apenas a manifestação intencional (provocada por agentes conscientes) ou espontâneas (causadas por agentes inconscientes) de determinadas leis da natureza, ainda desconhecidas pelo homem. Deus criou leis perfeitas e imutáveis. Se o milagre existisse seria uma transgressão a estas leis. O que existe é a ignorância dos princípios que regem as leis de Deus. O que pode parecer milagre para uns, é perfeitamente explicável para outros. Por exemplo um índio selvagem que visse um eclipse do sol, acharia aquilo um milagre, mas estudando astronomia, percebe que um astro se sobrepõe a outro com um fenômeno natural. A ciência ajuda na desmistificação dos milagres. Chegará o dia em que em todos conhecerão as leis que regem os fluidos, a mediunidade, a influência do mundo espiritual sobre o mundo físico, a ação dos Espíritos sobre a matéria etc.


Com relação à água fluidificada, a quantidade de um recipiente pode ser tomada por todos os membros de uma família, ou teria que ser um recipiente para cada membro da família?
A água fluidificada é considerada magnetizada pelos Espíritos, contendo portanto alterações ocasionadas pelos fluidos salutares ali colocados para o equilíbrio de alguma enfermidade física ou espiritual. Deve ser usada como um medicamento. Manda o bom senso que não se usem remédios sem necessidade, portanto só deve usar a água fluidificada quem estiver necessitando dela. O hábito de levar para casa litros e litros de água fluidificada para ser usada por toda a família todos os dias, não faz sentido, quando a prevenção energética ou reposição de fluidos do corpo espiritual é feito através do passe regular.


Por que fechar o vaso que contém a água a ser fluidificada?
O frasco que contém a água a ser fluidificada tanto pode estar aberto quanto fechado. Por uma questão de higiene certamente que será muito melhor que ele esteja com tampa. Isto não influi no resultado da magnetização, pois as substâncias colocadas na água pelos Espíritos que trabalham na fluidoterapia, através da imposição das mãos dos encarnados, atravessam os campos da matéria tangível com facilidade.


Qualquer pessoa pode aplicar passes?
Sim qualquer pessoa pode doar de suas energias, mas nem todos devem fazê-lo, pois a condição moral do indivíduo influencia diretamente na qualidade dos fluidos doados. A tarefa do passista, como qualquer outra que se desempenha no campo religioso, carece de preparo moral e esforço constante para vencer as más inclinações. Só a boa vontade não basta. Os Espíritos superiores ensinam que os fluidos espirituais podem ser alterados quando passam pela estrutura do encarnado e que apenas a moralização deste pode dar a garantia de bons resultados. Daí a razão pela qual nem sempre as pessoas se beneficiam com os passes a que se submetem por anos a fio nas casas espíritas que não primam pela boa qualidade espiritual de suas práticas.


A atividade do princípio vital está condicionada ao trabalho dinâmico dos órgãos? Ou seja, os órgãos são a causa geradora do princípio vital?
É o contrário. Allan Kardec diz que o princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos, mas uma coisa depende da outra, ou seja o princípio vital não existe sem a matéria e a matéria não tem vida sem o princípio vital. Os Espíritos afirmam que uma das modificações mais importantes do fluido universal é o fluido vital. Ele é o responsável pela força motriz que movimenta os corpos vivos. Sem ele, a matéria é inerte. Podemos dizer que ele é responsável pela animalização da matéria, pois, segundo os Espíritos, a vida é resultado da ação de um agente sobre a matéria. Esse agente é o fluido vital. É ele que dá vida a todos os seres que o absorvem e assimilam. A matéria sem ele não tem vida assim como ele sem a matéria não é vida. Quando os seres orgânicos perdem a vitalidade, por ocasião da morte, a matéria se decompõe formando novos corpos e o fluido vital volta à massa, ao todo universal, para novas combinações e utilizações no Universo.


No caso dos vegetais e animais como funciona o princípio vital?
Da mesma maneira, ou seja, produzindo energia, como uma força motriz.


O princípio vital absorvido pelo corpo humano é o mesmo que anima os animais e vegetais?
O princípio vital é o mesmo, mas sofre modificações segundo as necessidades das espécies.


O fluido animalizado do médium, nome dado por alguns autores, é o mesmo que ectoplasma?
É a mesma coisa. Apenas uma questão de forma.


No caso da escrita direta, com ou sem utilização do lápis pelo Espírito, é necessário o fornecimento do ectoplasma para se dar o fenômeno?
Sim, em todos os fenômenos, inclusive de cura, é necessário o ectoplasma.


O que é água fluidificada?

É a água magnetizada por fluidos espirituais e humanos, realizada com as preces e imposição das mãos.